Sorrisos que se cruzam,
lábios que se encontram,
palavras que se encantam,
olhares que parecem
conhecer um ao outro
antes mesmo de se conhecerem.
É a química do amor,
essa estranha alquimia
que dá brilho ao mundo,
que enfeita a realidade,
que transforma um instante
em promessa de eternidade.
Tudo parece mais bonito.
O dia ganha outras cores,
a noite fica mais curta,
e até o silêncio
parece dizer alguma coisa.
É quando dois mundos
começam a gravitar
em torno do mesmo desejo.
Mas chega o despertar.
A rotina bate à porta.
O encantamento perde o disfarce.
As verdades se despem
e aquilo que antes parecia perfeito
começa a mostrar suas imperfeições.
A química atrai.
O desejo aproxima.
A paixão incendeia.
Mas nenhuma chama
vive apenas de faíscas.
Para permanecer acesa,
é preciso mais do que química.
É preciso paciência,
generosidade,
escuta,
perdão.
É preciso a candura da alma,
a delicadeza de quem entende
que amar não é viver eternamente
no deslumbramento do primeiro encontro.
É escolher o outro
também quando o encanto passa.
Porque o amor verdadeiro
não é aquele que ignora a realidade.
É aquele que,
mesmo depois de conhecê-la,
ainda encontra motivos
para ficar.
E talvez seja essa
a verdadeira alquimia do amor:
não transformar o outro
naquilo que sonhamos,
mas aprender a amar
aquilo que a realidade nos revelou.