Caminhamos pela existência
como quem procura um caminho
sem perceber que na verdade é o caminho nos procura.
Olhamos sem ver,
escutamos sem ouvir,
e chamamos de vida
aquilo que muitas vezes é apenas uma existência medíocre.
Enquanto isso,
o tempo escorre silencioso
entre os dedos,
e a consciência repousa
sob o conforto de um sono profundo.
Mas a vida é uma mestra paciente.
Ela nos eleva,
nos derruba,
nos desnuda de certezas
e, através dos extremos,
nos conduz para dentro.
Talvez nada seja acaso.
Talvez cada encontro,
cada perda,
cada silêncio e cada dor
sejam movimentos invisíveis
de uma inteligência maior
tentando despertar em nós
aquilo que ainda dorme.
No fim,
talvez viver não seja descobrir
o sentido da existência.
Talvez seja despertar
para o fato de que
a própria existência
é o caminho que nos transforma
em quem somos.