Sebastiao
E a vida continua
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PROMESSA
Uma conversa comigo mesmo

Depois de tanto apanhar com o chinelo pedagógico da vida, resolvi fazer algumas promessas.

Não para me tornar outra pessoa, mas para aprender a cuidar melhor daquele que sou.

Prometo não entregar minha confiança a qualquer pessoa. Aprender que nem todo sorriso é sinal de amizade e que algumas distâncias também são formas de proteção.

Prometo não perder a oportunidade de dizer não. Entender que negar nem sempre é egoísmo e que respeitar meus limites é uma maneira de me respeitar.

Quero ser livre onde estiver. Não depender de lugares, de aplausos ou de aprovação para sentir que pertenço a mim mesmo.

Fazer de cada momento uma oportunidade única. Porque a vida não se repete da mesma maneira e o instante que deixamos passar não aceita devolução.

Prometo dividir o que aprendo. Conhecimento guardado é uma possibilidade adormecida. Se alguma coisa me fez crescer, que também possa ajudar outra pessoa a caminhar.

Quero sorrir para as pessoas. Mesmo quando o dia estiver pesado, lembrar que um sorriso pode ser a pequena gentileza que alguém precisava receber.

E, quando alguém me procurar para conversar, quero que essa pessoa não saia de perto de mim carregando o mesmo peso.

Não preciso ter todas as respostas. Às vezes, basta ouvir com atenção, oferecer acolhimento e fazer companhia à dor do outro.

Prometo ter sempre uma piada leve para contar. Porque a seriedade da vida não precisa roubar todos os nossos momentos de alegria.

Quero olhar a realidade de frente. Sem inventar desculpas, sem fugir do que precisa ser visto, sem transformar a verdade em algo mais confortável do que ela realmente é.

Prometo não reclamar de tudo o que acontece. Não porque a vida seja sempre justa, mas porque não quero desperdiçar minha energia lutando contra aquilo que já aconteceu.

Quero ser fiel aos meus princípios. Mesmo quando for mais fácil abandoná-los. Mesmo quando ninguém estiver olhando. Porque o caráter também se revela nas escolhas silenciosas.

Prometo ler o máximo de bons livros que conseguir. Encontrar nas páginas outras vidas, outras ideias, outras maneiras de compreender o mundo e a mim mesmo.

Aceitar a dor do crescimento. Entender que amadurecer nem sempre é confortável e que algumas mudanças exigem deixar para trás aquilo que já não me serve.

Prometo falar menos e ouvir mais. Talvez eu descubra que existem verdades que só aparecem quando paramos de interromper.

E cuidarei da minha saúde com firmeza e responsabilidade. Porque não existe liberdade completa quando o próprio corpo pede socorro e a gente insiste em não escutar.

Essas são minhas promessas.
Não sei se conseguirei cumprir todas. Sou humano, tenho fraquezas, cometo erros e ainda estou aprendendo.

Mas existe uma coisa que não quero mais adiar:
Tornar-me, a cada dia, uma pessoa de quem eu mesmo possa me orgulhar.

Depois de tanto apanhar com o chinelo da vida, talvez eu tenha finalmente entendido:

Não posso escolher todos os acontecimentos, mas posso escolher a maneira como continuarei caminhando.

E, desta vez, quero caminhar com mais consciência, mais leveza e um pouco mais de amor por mim mesmo.


Sebastião Neiva
Sebastião Neiva
Enviado por Sebastião Neiva em 20/09/2026
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