Faço uma apologia ao amor
num tempo em que quase tudo é descartável, inclusive as pessoas.
Não falo do amor comum que promete eternidade enquanto tudo é perfeito.
Falo daquele que conhece o desgaste, as diferenças, os silêncios, o mau humor e ainda encontra motivos para permanecer.
Amar não é encontrar alguém sem defeitos.
É reconhecer no outro as mesmas imperfeições que carregamos
e, apesar delas, escolher caminhar juntos.
Hoje confundimos liberdade com desapego e felicidade com a possibilidade de partir.
Trocamos histórias verdadeiras por novidades e, muitas vezes, abandonamos pessoas
antes de descobrir quem elas são na verdade.
Mas amor não é prisão.
Prisão é permanecer onde já não existe amor. Amar é poder partir a qualquer momento e, ainda assim, escolher ficar.
Talvez o verdadeiro amor comece quando a paixão termina e resta apenas uma pergunta:
diante de tudo o que fomos e somos,
ainda vale a pena escolher um ao outro?
Eu acredito que sim.
E por isso,
num mundo que aprendeu tão facilmente a partir,
faço minha defesa ardente
da difícil arte de permanecer.
Porque casamento é isso: Um encontro de almas imperfeitas, que decidem se aceitar.