HOJE, EU VOU ME LEVAR PARA TOMAR UM CAFÉ
Hoje quero fazer tudo diferente,
sem pressa, sem relógio, simplesmente.
Vou me levar para tomar um café,
e sentir a vida do jeito que ela é.
Sentado à mesa, quero saborear
não somente o café, mas o próprio estar;
sentir cada aroma, cada segundo,
como quem redescobre a beleza do mundo.
Quero olhar os corredores, devagar,
ver gente bonita passando a desfilar,
rostos, sorrisos, passos apressados,
tantos mundos diferentes, lado a lado.
E quero ficar tão à vontade,
como quem está em sua própria casa,
sem precisar de nada para ser feliz,
apenas estar ali e ser quem sempre quis.
Depois vou à editora, entre livros e histórias,
percorrer corredores cheios de memórias.
Talvez compre mais um ou quem sabe dois...
Porque os que tenho esperando? Deixo para depois!
Tenho centenas de livros acumulados,
todos esperando seus dias marcados.
Mas essa mania também tem seu encanto:
comprar uma história é comprar um sonho em cada canto.
Cada livro que chega traz uma promessa,
uma viagem, uma ideia, uma nova conversa.
E mesmo que a estante já esteja cheia,
há sempre outra história que a alma deseja.
Talvez eu não leia todos nesta vida,
mas cada página comprada é uma porta entreaberta,
uma possibilidade guardada,
uma pequena esperança silenciosa e despertada.
Hoje, porém, não quero correr.
Não quero contar o tempo preciso viver.
Quero que os minutos se tornem infinitos,
longos, profundos, intensos e bonitos.
Porque chega uma fase em nossa caminhada
em que a vida precisa ser contemplada,
e cada instante, por menor que pareça,
pode ser precioso antes que desapareça.
Quero beber meu café bem lentamente,
olhar o mundo passar à minha frente,
e agradecer, sem precisar dizer,
por ainda estar aqui, podendo viver.
Quero sentir que o tempo não me persegue,
que nenhum minuto perdido me entregue
a obrigação de chegar a algum lugar;
hoje, meu destino é simplesmente estar.
E se alguém perguntar:
“Você está sozinho?” vou sorrir e dizer
Não estou sozinho; estou comigo,
e descobri que isso também pode ser bonito.
Hoje quero me fazer companhia,
sem culpa, sem pressa, com alegria.
Quero ser meu próprio convidado,
meu amigo, meu abrigo, meu lugar sossegado.
E quando a tarde enfim se despedir,
talvez eu perceba, antes de partir,
que não foi apenas um café no shopping,
foi um encontro com a vida
e comigo.
Porque há momentos em que viver
não é fazer grandes coisas acontecerem.
É apenas sentar, respirar, olhar, sentir...
e perceber que ainda há beleza
em simplesmente existir.
Hoje, quero que o relógio se esqueça de andar.
Quero que o instante aprenda a durar.
E enquanto houver café, livros e gente a passar,
quero guardar cada segundo
como quem guarda estrelas no olhar.
Sebastião Neiva
Enviado por Sebastião Neiva em 31/08/2026
Alterado em 01/09/2026