Sebastiao
E a vida continua
Capa Textos Fotos Perfil Livro de Visitas Contato
Textos
QUANDO EU VOLTAR
Quando eu voltar, quero levar você comigo,
não esse corpo que sempre me encantou,
mas tudo aquilo que o tempo fez abrigo,
tudo aquilo que entre nós o amor guardou.

Quero levar os nossos beijos,
os abraços que o silêncio completou,
os nossos sonhos, nossos segredos,
e cada instante que a vida nos deixou.

Quando eu voltar,
quero procurar alguém maior que eu,
alguém a quem eu possa agradecer
pelo presente que a minha vida recebeu.

Quero dizer:
“Obrigado pela honra que me deste,
pela confiança de me fazer caminhar,
pelas duas filhas que me deste,
e pelo neto que me ensinou a amar.”

Quando eu voltar,
quero ajoelhar-me em oração
e pedir, se ainda houver essa oportunidade,
que eu possa encontrar Leonardo
e colocar minhas mãos em suas mãos.

E então, sem orgulho e sem defesa,
sem procurar desculpas para o passado,
direi somente, com toda a minha franqueza:
“Meu filho, me perdoe.
Eu quis ser pai.
Mas nem sempre consegui ser
o pai que você merecia ao meu lado.”

Quando eu voltar,
não levarei nenhuma mágoa,
nenhum rancor, nenhum desafeto.
Tudo isso fez parte da minha estrada,
dos meus erros, das minhas quedas,
do caminho que Deus traçou no deserto.

Não quero levar aquilo que pesa,
nem aquilo que um dia me fez sofrer.
Quero levar somente a certeza
de que amar valeu a pena viver.

E se Deus me permitir voltar,
se houver outro tempo, outra morada,
não pedirei riqueza, nem poder,
nem uma vida diferente da que me foi dada.

Pedirei apenas a graça
de reconhecer, onde eu estiver,
cada rosto que um dia amei,
cada mão que segurou a minha,
cada pessoa que me fez ser quem sou.

E se houver uma janela entre os mundos,
se eu puder mandar uma mensagem,
não escreverei cartas longas,
nem palavras bonitas demais.
Não falarei de saudade,
nem farei da ausência uma viagem.

Direi apenas, com a alma inteira:
“Estou vivo.
Estou em paz.
E, acima de tudo,
AMO VOCÊS.”

E se perguntarem o que deixei,
não deixei ouro, nem nome, nem vaidade.
Deixei apenas aquilo que realmente importa:
um pouco de amor,
algumas lembranças,
e a esperança de ter feito parteda vida de vocês.

Quando eu voltar,
seja onde for, seja como for,
quero encontrar Deus sem medo,
porque levarei comigo o amor.
E, se Ele me perguntar
se eu faria tudo outra vez,
talvez eu chore, talvez eu sorria,
mas direi:

“Sim, meu Deus.
Com meus erros, minhas fraquezas e minha imperfeição,
eu viveria tudo outra vez.
Porque, entre todas as coisas que a vida me deu,
amar vocês foi a maior delas.”

Sebastião Neiva
Sebastião Neiva
Enviado por Sebastião Neiva em 26/08/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Comentários
Capa Textos Fotos Perfil Livro de Visitas Contato