No palco, a cortina se abre
e a vida começa a representar.
O ator sorri,
a plateia sorri com ele.
Ele chora,
e alguns olhos se enchem de lágrimas.
Ele treme,
e o medo atravessa a sala.
Assim também é a vida.
Somos atores
e, ao mesmo tempo, plateia.
Interpretamos personagens,
usamos máscaras,
escondemos dores
e ensaiamos sorrisos.
Há quem represente felicidade
enquanto vive uma tragédia.
Há quem pareça forte
apenas porque aprendeu
a esconder onde dói.
E quantas vezes julgamos alguém
pela cena que vemos,
sem conhecer o roteiro
das páginas que carrega em silêncio?
No teatro,
quando a cortina cai,
a personagem desaparece.
Na vida, não.
A cena termina,
as luzes se apagam,
a plateia vai embora,
mas cada um continua
com aquilo que não conseguiu representar.
Talvez a grande pergunta
não seja qual personagem interpretamos,
mas quem somos
quando as cortinas se fecham
e já não existe plateia.
Porque o verdadeiro palco
não está diante dos nossos olhos.
Está dentro de nós,
onde finalmente tiramos a máscara
e ficamos diante
de quem realmente somos.