Que teus olhos te mostrem
aquilo que o mundo tenta esconder. O frio por trás de um abraço, o desprezo disfarçado de indiferença,
a ausência de sinceridade
que se esconde em palavras cuidadosamente escolhidas.
Ninguém é completamente transparente. Todos carregamos sombras, segredos que não revelamos, lugares dentro de nós onde nem sequer gostamos de entrar.
Somos humanos.
E talvez haja em nós
mais egoísmo e egocentrismo do que gostaríamos de admitir.
Há sentimentos escondidos atrás dos olhares.
Há silêncios que dizem mais que palavras.
Há sorrisos que não alcançam a alma.
Por isso, cuidado.
Há perigo na esquina,
mas nem sempre ele vem acompanhado de ameaça.
Às vezes, chega com um abraço,
senta-se ao nosso lado,
chama-nos pelo nome
e diz que nos ama.
Talvez seja por isso
que algumas pessoas aprendem a gostar da solidão. Não porque odeiam o mundo, mas porque descobriram que estar consigo mesmo pode ser menos doloroso do que confiar em quem não sabe permanecer.
As pessoas podem ser falsas.
Ou talvez apenas tenham medo.
Medo de mostrar quem são.
Medo de serem julgadas.
Medo de amar e não serem amadas.
Medo de entregar o coração
e encontrá-lo depois em pedaços.
Então amam com cautela.
Aproximam-se sem se entregar.
Abraçam mantendo uma distância invisível.
Dizem “confio em você”,
mas escondem a chave de suas portas.
E talvez ninguém seja inteiramente culpado.
Talvez sejamos apenas seres humanos tentando sobreviver uns aos outros,
protegendo nossas feridas
com máscaras que aprendemos a chamar de personalidade.
Por isso, olha.
Olha além das palavras.
Além dos gestos ensaiados.
Além dos sorrisos.
Mas não deixes que a desconfiança te transforme naquilo que temes encontrar.
Porque enxergar as sombras do outro
não significa abandonar a luz. Significa apenas aprender a caminhar com os olhos abertos, sem perder a capacidade de amar.