Sebastiao
E a vida continua
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Textos
A CORDA AZUL (Um testemunho)
Há experiências que a vida nos impõe e que, depois de atravessadas, jamais conseguimos olhar da mesma maneira.
Passei por uma virose extremamente forte, que em apenas dois dias provocou uma desidratação severa. Fui internado em uma UTI, onde permaneci por quatro dias. Como biomédico, conhecia a gravidade do que estava acontecendo. Meus índices bioquímicos estavam mais de 300% alterados e os desequilíbrios osmóticos do organismo não costumam ser corrigidos rapidamente.
O prognóstico não era dos melhores.
Eu sabia, pela minha formação, que a recuperação poderia ser lenta e delicada. Sabia também que o organismo precisaria de tempo para reencontrar o seu equilíbrio.
Mas algo aconteceu.
Enquanto eu recebia o tratamento médico intensivo, um grupo de amigos e familiares se uniu em uma corrente de oração. Houve também sessões de magnetismo e outras formas de auxílio espiritual. Pessoas que talvez nem pudessem estar fisicamente ao meu lado encontraram uma maneira de estar comigo por meio da prece.
Então vieram os exames.
No primeiro dia, os índices bioquímicos haviam caído praticamente pela metade.
No dia seguinte, estavam normalizados.
Como biomédico, eu sabia o quanto aquela evolução podia parecer surpreendente diante do quadro que havia apresentado. Como homem de fé, porém, passei a enxergar aquele momento por outra perspectiva.
Não pretendo explicar o inexplicável.
Apenas testemunhar aquilo que vivi.
Um dos médiuns que acompanhavam espiritualmente o meu caso contou que havia visto uma luz azul intensa sobre o meu leito.
Naqueles mesmos dias, tive um sonho que jamais esquecerei.
Eu estava descendo por um abismo. E, naquele lugar profundo, havia uma corda azul que me auxiliava a descer, sustentando-me para que eu não caísse.
Quando despertei, aquela imagem permaneceu em mim.
Hoje, quando penso naquela corda azul, não sei dizer exatamente o que ela significava. Talvez cada pessoa possa interpretá-la à sua maneira. Para mim, entretanto, ela se tornou um símbolo.
Um símbolo de amparo.
De que, mesmo quando estamos descendo aos lugares mais escuros da existência, pode haver algo — ou Alguém — sustentando-nos para que não percamos completamente o equilíbrio.
A medicina esteve comigo. O conhecimento esteve comigo. Os profissionais que cuidaram de mim estiveram comigo. Minha família e meus amigos estiveram comigo.
E, acima de tudo, senti a força das preces.
Depois dessa experiência, passei a confiar ainda mais no poder da oração. Não porque ela substitua a medicina, o tratamento ou a ciência, mas porque acredito que existem dimensões da vida que não conseguimos medir com aparelhos, interpretar em exames ou traduzir em números.
Talvez a ciência explique muitos dos caminhos pelos quais o corpo se recupera.
Mas há momentos em que o coração pergunta por algo além da explicação.
E é nesse espaço que a fé encontra lugar.
Não sei se aquela luz azul existiu exatamente como foi percebida.
Não sei se a corda azul do meu sonho foi apenas uma construção da minha mente ou se carregava uma mensagem que ultrapassava aquilo que consigo compreender.
O que sei é que eu estava muito doente.
O que sei é que pessoas oraram por mim.
O que sei é que recebi cuidados intensivos.
O que sei é que meu organismo respondeu de maneira que me surpreendeu profundamente.
E o que sei, principalmente, é que estou aqui.
Por isso, este texto não é uma tentativa de provar nada a ninguém.
É apenas um testemunho.
Um agradecimento.
Uma lembrança de que, às vezes, quando pensamos estar sozinhos diante de um abismo, existem mãos que não vemos, preces que não ouvimos e forças que não conseguimos explicar, mas que, de alguma maneira, podem nos sustentar.
Hoje, minha gratidão é imensa.
Agradeço aos profissionais que cuidaram de mim, aos familiares e amigos que permaneceram ao meu lado, àqueles que fizeram da oração uma ponte entre mim e o mundo, e a todos que, de alguma forma, enviaram pensamentos de amor e esperança.
E agradeço, acima de tudo, ao Deus Amantíssimo que nos criou a todos.
Se um dia eu me esquecer da força de uma prece, que eu me lembre da corda azul.
Porque eu estive diante de um abismo.
E, de alguma forma, fui sustentado.

Sebastião Neiva
Sebastião Neiva
Enviado por Sebastião Neiva em 11/08/2026
Alterado em 11/08/2026
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