Textos
INOCÊNCIA DO AMOR
Culpam o amor como se ele tivesse mãos capazes de empurrar alguém para o abismo.
Mas o amor não aprende a ferir. Quem fere são os ciúmes, que transformam o afeto em vigilância.
São as brigas que erguem muros onde antes havia portas abertas.
É a desconfiança, que inventa sombras mesmo sob a luz do meio-dia.
São as mentiras, que racham o chão até que dois corpos já não encontrem onde repousar.
É a falta. A ausência de cuidado. A ausência de escuta. A ausência da coragem de permanecer.
O amor não conhece essas linguagens. Ele nasce inteiro, silencioso, como quem apenas oferece abrigo.
Quando tudo termina, não é o amor que parte. Partem as promessas, a paciência, o respeito, a verdade.
E, sobre os escombros, o amor permanece, calado, recebendo uma culpa que jamais lhe pertenceu.
Sebastião Neiva
Sebastião Neiva
Enviado por Sebastião Neiva em 21/07/2026
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