A vida não nos pertence. Ela apenas nos atravessa, como um viajante que conhece o destino mas não revela o horário da partida.
Vivemos como se o tempo fosse um bem acumulável. Corremos. Empilhamos desejos. Chamamos de conquista aquilo que apenas adiamos perder.
O desejo ergue nossas bandeiras. O tédio caminha logo atrás, lembrando que nenhuma posse é capaz de preencher o vazio de uma existência que insiste em querer mais.
Saciamo-nos de pão, de ouro, de força, de poder. Ainda assim, permanece uma fome que não encontra alimento no mundo.
Tudo termina. Não porque falhamos, mas porque essa é a natureza de tudo o que nasce.
A passagem já está comprada. O destino é comum a todos. Somente a hora da partida permanece em silêncio, guardada pelo tempo.