Textos
NOITES QUE PERMANECEM
Houve um tempo em que eu não cabia em mim.
Eram tantas emoções que transbordam as margens do meu peito. Trazia comigo palavras, sonhos e silêncios.
Eu me esvaziava em lágrimas e recolhia pedaços de papel, evitando o naufrágio de poesias inacabadas.
A vida sempre foi muito grande para mim, impossível para um corpo tão limitado.
Carregava comigo uma multidão de perguntas. Muitas ainda não tive respostas.
Quando o mundo adormecia restavam eu e meu travesseiro. Ele guardava meus segredos, pensamentos e meu cansaço.
Sentia como se uma mão apertasse minha alma. Queria expulsar aquela ausência que nunca consegui nomear.
Cresci assim!
Aprendi a conversar com vazios, com sombras e uma infinita espera.
Esperei por um mundo melhor, mais justo. Esperei tanto, que passei a morar nessa espera.
Espero até hoje!
As noites permanecem, umas caem do céu e outras brotam de dentro de mim.
Até hoje sinto essa ausência sem um rosto definido, essa voz muda a me chamar.
Dizem que isso é viver.
Será?
Ainda não encontrei respostas, mas ainda não desisti de procurar.
Sebastião Neiva
Sebastião Neiva
Enviado por Sebastião Neiva em 26/06/2026
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