Há pessoas que caminham pela vida carregando tempestades interiores que ninguém vê.
Trazem nos olhos o peso dos dias, nas expressões, marcas de batalhas silenciosas vividas e nas palavras, a aspereza de quem já foi ferido muitas vezes.
Nem sempre desejam machucar. Às vezes apenas repetem, sem perceber,
a linguagem que aprenderam com a própria dor.
Suas frases são como ventos frios, cortam, interrompem entusiasmos,
diminuem sonhos, lançam sombras onde havia luz.
Carregam desilusões da profissão que não floresceu, dos afetos que não permaneceram, dos caminhos que não conduziram ao destino esperado.
E, pouco a pouco, o coração se fecha em defesa, a voz perde a delicadeza, o sorriso torna-se raro.
Encontrá-las pode entristecer nossa alma, principalmente quando buscamos compreensão e recebemos dureza.
Mas o tempo ensina que toda amargura possui uma história, todo gesto áspero esconde alguma ausência, e toda palavra cortante revela uma ferida ainda não cicatrizada.
Por isso, sigo tentando não recolher o que me fere, nem devolver o que, às vezes, me machuca.
Cada pessoa oferece ao mundo aquilo que possui em seu interior.
E, diante das palavras que pesam, prefiro guardar o silêncio sereno, porque a paz é uma resposta que não precisa vencer ninguém.