Ser poeta é abrir as portas do coração.
É afastar as cortinas do quarto mais secreto e permitir que o mundo veja aquilo que, por tanto tempo, permaneceu guardado.
É aceitar o olhar do outro.
Aceitar a crítica, a análise, o questionamento.
É compreender que cada palavra lançada ao papel carrega um pedaço de quem a escreveu, e que esse pedaço já não lhe pertence por inteiro.
Ser poeta é expor o vazio e também a abundância.
É revelar as cicatrizes sem a obrigação de explicá-las.
É contemplar uma beleza silenciosa, daquelas que talvez ninguém mais perceba, e ainda assim sentir a necessidade de compartilhá-la.
É deixar escancarada a porta da alma, mesmo sabendo que alguns entrarão apenas para observar, outros para julgar, e poucos para compreender.
Ao poeta cabe o sentimento.
Cabe a coragem de transformar o indizível em palavra.
Ao leitor cabe o encontro.
Esse ponto invisível de intersecção entre a verdade de quem escreve e a verdade de quem lê.
E é nesse instante, quando duas verdades se tocam sem se anular, que a poesia acontece.