Ontem ela se despediu.
Despediu-se de um tempo marcado por tropeços, incertezas e silêncios que pesavam mais do que as palavras.
Deixou para trás os corredores do olhar, os medos que limitavam seus passos e o ambiente onde sua luz já não encontrava espaço para brilhar.
Recolheu seus livros, suas roupas e algumas lembranças que o tempo não conseguiu apagar.
O restante ficou.
Ficaram as paredes, os objetos e tudo aquilo que já não lhe pertencia de verdade.
Levou consigo o que era essencial: o sorriso que resistiu às tempestades, a serenidade conquistada nos dias difíceis, a paz que nasceu da compreensão e a coragem de recomeçar.
Vestiu a alma de branco.
Não como quem foge, mas como quem encerra um ciclo com dignidade.
Partiu sem olhar para trás.
Sem mágoas.
Sem desejos de revanche.
Sem o peso das dores antigas.
Levou apenas a certeza de que cada experiência cumpriu seu papel e que nenhuma caminhada é em vão. Ontem ela fechou uma porta.
Hoje, diante dela, existe um caminho inteiro esperando para ser percorrido.
E, pela primeira vez em muito tempo, seus passos pertencem somente a ela.