Ao passado, a depressão.
Ao futuro, a ansiedade.
Ao presente, a vida em sua forma real.
O passado carrega sombras, retratos e bilhetes amarelados pelo tempo, escolhas, ausências que insistem em permanecer.
O futuro se esconde atrás de uma névoa translúcida, caminha por estradas que ainda não existem, ergue castelos e cava precipícios com a mesma imaginação falsa.
Entre ambos existe um território silencioso: o instante presente. O agora!
Marco Aurélio nos fala da serenidade diante do que não controlamos.
Sêneca nos fala da brevidade dos dias desperdiçados naquilo que não pertence à nossa essência.
Epicteto nos fala da liberdade que nasce quando deixamos de exigir do mundo o que o mundo nunca nos prometeu.
E tantos outros filósofos e escritores nos falam sobre o tempo.
Mas o tempo continua ensinando sem palavras.
Ele passa pelas árvores, se esconde atrás das rugas, desce pelo leito dos rios, pelos encontros e despedidas.
Ele nos mostra que a vida não mora no passado , nem no futuro.
A vida não habita ontem. A vida não habita o amanhã.
A vida respira agora, neste exato momento em que os olhos observam, em que o coração percebe, em que a consciência está desperta.
O presente é a única porta aberta.
Tudo o mais é memória ou possibilidade.
E enquanto o tempo segue seu curso, silencioso e imparcial, a existência convida:
vive.
Não quando as condições forem perfeitas. Não quando os medos cessarem. Não quando o futuro chegar.
Vive agora, porque é somente aqui e agora a eternidade toca o homem.