A vida não é uma estrada única. Ela se abre em existências. Cada existência nos oferece paisagens distintas e a travessia é nossa única opção.
Há desertos para caminhar, onde o horizonte parece distante, o silêncio pesa sobre os ombros e cada passo exige mais força e mais sentido. São nessas fases em que os mistérios se apresentam sem resposta, os perigos surgem sem aviso e temos que estar atentos a cada ruído.
Em outras fases, há florestas densas, os caminhos se perdem sob a vegetação, os espinhos retardam a marcha e os pântanos prendem nossos pés e perdemos a direção. Nesse momento descobrimos que ser corajoso não é apenas não ter medo, mas ter fé e encontrar a clareira.
Há também os mares tranquilos. Nossa embarcação desliza suavemente e o céu promete a eternidade. Porém, vez ou outra, uma tempestade se ergue, não para destruir a viagem, mas para aprendermos a valorizar a serenidade.
Há também terras férteis, cobertas de jardins e abundância. É um momento para contemplar as belezas e colher os frutos de antigas semeadura. Mas devemos estar cientes que esse não é um lugar definitivo, é uma pausa para descanso e recuperar forças.
A cada existência uma paisagem diferente, mas o propósito é sempre o mesmo. Atravessar.
Atravessar o deserto sem perder a esperança
Atravessar a floresta sem abandonar a direção
Atravessar o mar sem renunciar a confiança
Atravessar os jardins sem esquecer a gratidão.
Porque na verdade não caminhamos apenas por lugares, caminhamos para nós mesmos. E a cada travessia deixamos para trás uma versão antiga e nos aproximamos mais da versão que precisamos ser.