Navegar é preciso.
Então erga as velas
e escolha um rumo
um norte, um sul,
ou apenas o caminho que o vento indicar.
Não tema as águas agitadas, nem os abismos escondidos sob a superfície.
O mar sempre testa quem deseja partir.
Enfrente os fantasmas que surgem nas madrugadas silenciosas, sinta o sal queimando os lábios, e não se deixe adormecer pelas vozes doces que tentam fazê-la voltar.
Apenas navegue.
Não retorne à ilha onde o ar se tornou pesado e os sonhos apodreceram nas margens.
Continue.
Mesmo sem enxergar claramente a linha do horizonte, há uma terra firme esperando no encontro impossível entre o céu e o mar.
E quando seus pés tocarem o chão, permaneça inteira.
Não olhe para trás.
Você atravessou tempestades, suportou silêncios, esperou além do necessário, carregou pesos que não eram seus
e ainda assim continuou.
Agora a vida não pede resistência. Pede construção. Abra trilhas nessa terra nova,
fértil de recomeços,
grávida de possibilidades.
O mar ficou para trás.
E você não é mais a mesma mulher que um dia teve medo de partir.