Senhor,
Nesta hora em que a noite despeja silêncio sobre a Terra e a lua acende sua lâmpada branca sobre os telhados do mundo, eu ergo meus olhos para o alto.
Há algo no luar que me aproxima de Ti.
Talvez porque a claridade da lua
não fere,
não exige,
não cega.
Ela apenas toca devagar aquilo que está escondido dentro da alma. E eu fico pensando, meu Deus,
que em algum outro lugar, distante de mim, alguém também contempla esta mesma lua.
Outro coração suspira.
Outra janela permanece aberta. Outra solidão conversa contigo em silêncio.
Como é imenso o Teu capricho. A mesma luz beijando oceanos, cidades, desertos e também o meu pequeno coração.
No luar eu compreendo minha pequenez.
Sou apenas um cisquinho caminhando sobre a Terra,
um breve sopro de vida entre bilhões de estrelas.
E ainda assim, Tu me enxergas.
Olho para a lua
e sinto que ela carrega ausências, memórias e eternidades.
Há brilhos que pertencem ao céu e há brilhos que pertencem à alma.
Obrigado, Senhor,
pela beleza que não faz barulho, pela noite que acalma, pela lua que me ensina a olhar para cima outra vez.
Que eu nunca perca esta capacidade de me admirar.
Que meu coração continue pequeno diante do infinito,
mas cheio de amor diante da vida.