Textos
DUAS CANETAS
Duas canetas se encontram. É como se uma conhecesse um pouco da história da outra.
Não fazem barulho, há um silêncio interno é como se as tintas se identificassem.
Um gesto esquecido
Um traço marcante, algo que já existia antes do encontro.
Conversam sem pressa, falam das linhas que deveriam ser retas, sobre os desvios necessários e sobre as curvas que salvaram os sentidos.
Uma carrega textos interrompidos e a outra palavras que não foram ditas.
Falam de cartas que o tempo apagou, não com tristeza, mas com aceitação de quem sabe que nada é pra sempre.
Tentam se aproximar, mas sentem há ainda uma expectativa, nem toda tinta aceita o mesmo papel.
Descobrem então que não basta apenas ser iguais. As formas podem até coincidir mas as marcas recebidas e deixadas pelo caminho são diferentes.
Cada uma narra sua história
Sua falhas
Suas rasuras
Seus borrões
Mas só depois, no silêncio, tudo se ajeitou.
E então juntos começaram a escrever uma história. Completar os textos inacabados. Preencher os espaços vazios com presença.
Não se reconhecem como iguais, mas como dois seres imperfeitos se aceitando como são
E então escreveram uma história não perfeita, mas viva. De quem aprendeu a falar de amor.
Sebastião Neiva
Sebastião Neiva
Enviado por Sebastião Neiva em 04/05/2026
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