Textos
FERIDA ANTIGA, PRESENÇA ATUAL
Há cicatrizes que não suportam silêncio, são portas que foram fechadas escondendo o que não podia ser esquecido.
Basta um gatilho, um olhar atravessado no tempo e a pele se abre revelando o que sempre esteve ali. As lembranças que ainda respiram.
Dela escorre um exsudato invisível aos olhos, feito de nomes, de perfumes, de tardes de domingo e de tudo que ficou enterrado mas não esquecido.
É quando o coração bate diferente, e em cada batida uma tentativa de entender o porquê desse retorno repentino.
Não é dor. É o passado recusando a morte, trazendo consigo, sem permissão, o que estava oculto.
E nós ficamos ali em silêncio, avaliando porque ainda sentimos essa ferida antiga e essa presença tão atual.
Sebastião Neiva
Sebastião Neiva
Enviado por Sebastião Neiva em 28/03/2026
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