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VISITA AO PASSADO
Deixei a janela aberta.
Não por descuido, mas por uma espécie de saudade que me habitava naquele momento.
De repente entra pela janela um visitante leve e indeciso.
Não sei dizer se era uma borboleta ou um pássaro, só sei que tinha asas, silêncio e despertava minha saudade.
Pousou como se conhece bem o lugar, parece que havia vivido ali, antes que tudo se tornasse ausência.
Fiquei imóvel, tentava adivinhar quem poderia ser.
Quem partiu de mim e conseguiu achar o caminho de volta.
A borboleta me falava de transformações de espera, o pássaro me falava de distância, de caminhos que não percorri e de um céu que não acreditei.
Foi quando me lembrei de você, e minha memória fez uma visita ao passado.
Então me calei, respirei fundo e pensei.
Há visitas que não precisam ser reconhecidas, apenas sentidas.
E em minha indecisão entre borboleta e pássaro, ela se foi…
Deixando um deslocamento do ar, o suficiente para abrir a porta para o passado.
Sebastião Neiva
Sebastião Neiva
Enviado por Sebastião Neiva em 23/03/2026
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