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BATER NA MADEIRA
Vô Amadeus encosta a mão nas tábuas do curral, tábuas que guardam as marcas de chuvas, sol e o desgaste do tempo.
Vô também traz em seu corpo as marcas de quem viveu no lombo de cavalos e burros.
Ele escuta uma notícia ruim e bate três vezes na madeira do curral. Não sabe explicar seu gesto.
Parece um acordo antigo entre o amor e a esperança.
A madeira responde com um som seco, som que atravessa o curral e se perde no campo aberto.
Vô Amadeus fica olhando para longe, talvez não esteja afastando o azar, mas para mostrar que a vida é tão frágil como a madeira que sustenta o curral.
Às vezes parece que Vô Amadeus busca no coração da madeira, a proteção para sua alma tão singela.
Sebastião Neiva
Sebastião Neiva
Enviado por Sebastião Neiva em 20/03/2026
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