Certa vez alguém me disse, com toda franqueza:
— Eu não gosto de você.
Curiosamente, aquilo nunca me preocupou.
Era um inimigo declarado, alguém que mostrava o que sentia sem máscaras.
Com o tempo, naturalmente, ele desapareceu do meu caminho.
Os inimigos sinceros têm essa característica:
sabemos quem são, sabemos onde estão.
O que realmente me inquieta são outros tipos de pessoas.
Aquelas que nos vendem sorrisos,
que oferecem tapinhas amistosos no ombro,
que aparentam carinho e proximidade…
Mas que, no fundo, não são verdadeiras.
Essas são mais difíceis de reconhecer.
São como sombras caminhando ao nosso lado.
Delas nasce o verdadeiro perigo,
porque o inimigo declarado caminha à nossa frente,
mas o inimigo oculto caminha ao nosso lado.