Depois de velho compreendi que o mundo me cobra além do que posso dar. Me leva por estradas que não conheço e não escolhi. O tempo segue a passos de gigante, engolindo meus sonhos e pensamentos.
Mas chega um tempo em que tudo se cala, que se dane a vida com suas urgências. Meu olhar atravessa a janela e me mostra o céu naquela promessa antiga. Eu não nasci para correr, devo ter um ritmo constante.
Meu coração é muito apressado, busca atalhos, mas minha alma conhece a longitude do caminho. O tempo me ensinou que o fruto amadurece ao seu tempo e que o rio corre lento e caudaloso, mas sempre chega ao mar.
Por isso hoje deito na rede da sacada e deixo a pressa descansar. Só me preocupo com aquilo que me traz crescimento interno.
Porque no fim, veloz ou lento tudo encontra seu lugar. E aquilo que parecia demorar era apenas o mundo minimizando para caber dentro de mim.