Sebastiao
E a vida continua
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Textos
GESTÃO DE RELÍQUIAS
Relíquias não se  expōen em vitrines,
Não precisam de inventário.
Por que vivem no fundo da memória, onde o tempo não tem pressa e a alma visita quando quiser

São os amores que não cabem mais no agora,
partiram deixando ecos de saudades.

Mas uma saudade diferente
não como ausência,
mas como presença que aprendeu a morar longe.

Há momentos fáceis,
leves como a brisa da manhã, sem compromisso, e outros difíceis,
que aos poucos trazem o peso das escolhas mas também  a coragem de continuar.


Os grandes acontecimentos
São marcados por  datas e rostos.
Os pequenos, quase imperceptíveis,
são os que mais insistem em permanecer na memória:  um olhar, uma frase dita sem intenção, um silêncio compartilhado.

Arquivamos reflexões
como quem guarda cartas que não foram enviadas.
Pensamentos que voltam
quando a vida pede pausa
e o coração pede escuta.

Há lembranças de pessoas
que nos  marcaram pelo amor,
abrindo janelas em nosso interior,
e outras pela dor que nos
ensinaram os  limites,
o desapego e a resiliência

Os sonhos interrompidos também são relíquias
as versões de nós que mudaram com o tempo
as perguntas sem resposta
e as respostas que chegaram tarde.

Gerir relíquias
é escolher o que carregar na memória e o que deixar morrer. Não para esquecer,
mas para honrar sem aprisionar.

Porque memória saudável
não é acúmulo de fatos,  é sabedoria:
saber quando visitar o passado e permitir o acesso  quando ele se fizer necessário no presente.

Sebastião Neiva
Sebastião Neiva
Enviado por Sebastião Neiva em 30/12/2025
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