Sou lua quando a noite vem e com minha presença silenciosa aprendi a iluminar o belo e o feio sem distinção.
Sou sol que respeita à noite
e compreende o valor do repouso, pois nem toda luz precisa insistir em brilhar.
Sou vida quando me manifesto na existência,
quando aceito o pulsar do agora.
E sou morte quando a luz me seduz, não como fim, mas como passagem inevitável de quem já cumpriu seu tempo.
Já fui verme,
aprendi com a terra a humildade do começar.
Já fui leão,
Conheci a força e o peso do instinto.
Já fui mata,
onde aprendi a crescer sem pedir permissão.
E também fui solidão, quando vaguei pelo espaço onde a alma aprendeu a escutar a si mesma.
Hoje sou aquilo que o coração me pede.
Não o que quero ser,
mas o que sou capaz de sustentar.
Pelo caminho, a vida me ensinou uma linguagem sem fronteiras, sem gramática, com poucas vírgulas e sem ponto final.
Uma linguagem que não se explica, apenas se vive.