Senhor,
eu sou aquela ovelha desgarrada, perdida entre pregadores que se contradizem, filosofias que disputam a verdade,
e religiões que erguem muros ao invés de pontes.
Minha fé ainda é vacilante,
não por falta de vontade,
mas porque sou pequeno diante do infinito e me perco no meio de falsas religiões .
Não busco templos de ouro,
nem pregadores famintos de bens terrenos.
Não procuro consolo fácil,
nem promessas que desabam ao primeiro sopro da razão.
Procuro um pastor que não me amarre, não me engane
que não me mande temer o desconhecido, e que jamais me obrigue a calar minhas perguntas
Quero uma crença transparente, onde a razão seja amiga do espírito,
onde posso caminhar sem medo, onde a dúvida não seja pecado, mas um degrau para a verdadeira luz.
Senhor,
sou essa ovelha que ainda aprende, que tropeça, que hesita e que vive com o coração cheio de dúvidas, mas que não se entrega e continua procurando a luz
com a coragem humilde de quem sabe que a verdade não teme ser questionada.