A sombra partiu assim que o corpo adormeceu
Desprendeu-se num fim de tarde silencioso e frio.
Deixando para trás um peso antigo, que limitava seus dons.
O corpo ficou ali, parado,
mas algo nele mudou.
Os passos não eram os mesmos, parece ter perdido a noção de pertencimento
A sombra, agora livre,
Caminhava por conta própria.
Deslizava pelo horizonte,
e se deleitava numa nova dimensão sem se preocupar com a luz que a criava.
O corpo procurou por ela,
não por necessidade,
mas por costume.
Pois era a sombra que lhe dava luz.
E assim seguiram,
cada qual em sua direção:
O corpo volta para a terra que lhe criou. E alma segue seu Dharma, se recarregando no Devachan.
Talvez um dia a sombra volte na dobra de algum entardecer.
A sombra é esse viajante que se alterna entre o ser e o não ser.