Brandamente eu disse a ela:
— Não goste de mim.
Sou um furacão solitário, que gira pelo mundo em busca de aventuras.
Nos dias, sou um corcel que galopa por campinas sem fim;
À noite, um predador silencioso, eficiente e voraz.
Por isso, não goste de mim!
Não nasci para ser preso em relacionamentos.
Gosto da liberdade, dos ventos e dos momentos de solidão.
Às vezes choro sozinho, quando a saudade me alcança,
mas logo me entrego às delícias da poesia, que me consola como um velho amigo.
Por anos vivi assim, um andarilho de mim mesmo.
Nada me prendia.
Em meu peito morava um coração vazio, mas livre.
Até que um dia...
A voz mais doce que já ouvi
e o beijo mais apaixonante que já provei , sussurraram: “Fica.”
E então, o furacão cessou.
Transformei-me em um lago sereno, cheio de amor e paz.