Quando o mundo ainda era apenas o meu quintal,
Eu acreditava que as nuvens fossem feitas de pão, ouvia o vento chamando meu nome, mas não tinha coragem de voar.
Eu conversava com as sombras,
E com um pedaço de vidro criava meu próprio sol.
Eu achava que as árvores entendiam meus pensamentos.
Os adultos passavam, preocupados com o tempo, e contando suas moedas.
Eu contava figurinhas e as estrelas do céu.
Um dia me perguntaram o que você vai ser quando crescer?
Respondi:
Quero continuar sendo criança.
Todos riram. Riram, porque não entendiam o idioma INFANTEZ, tão rico em sonhos.
Mas guardei meus sonhos no bolso, junto com uma bolinha de gude e um papelzinho amassado que mamãe escreveu:
“Voar não é ir embora, é lembrar de onde a gente veio”.