Textos
LAMENTOS DE UM POETA
Lamento o verbo que ainda não aprendi a conjugar.
As palavras mal empregadas que machucam tanto quem escreve, quanto quem lê.
Lamento essa carne que me prende, limitando minhas verdades. E todos os versos que abortei no lixo, matando-os antes de nascerem.
Lamento a falta de fidelidade de não conseguir falar de abismos e flores em forma natural.
Às vezes me calo, me retraio, não por falta de palavras, mas pelo excesso de ruído do mundo.
Nós poetas, quando recebemos a visita do amor, recebemos junto um bilhete de despedida.
Por isso escrevo
Porque preciso mostrar ao mundo os versos que circulam em minhas veias, ou talvez para não morrer lamentando em silêncio.
Tião Neiva
Sebastião Neiva
Enviado por Sebastião Neiva em 15/10/2025
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