Ser imortal…
talvez seja uma ironia para quem sente o cansaço da alma.
Vida eterna é repetir o mesmo gesto,
ouvir o mesmo eco,
percorrer os mesmos abismos.
Nietzsche sussurra:
“É o eterno retorno.”
E o instante pesa,
porque saber que tudo voltará o torna insuportável.
Schopenhauer ri, amargo:
a vontade nunca cessa,
ela deseja, e deseja de novo, mesmo quando o desejar já é dor.
Ser imortal é não poder descansar,
não poder morrer,
não poder esquecer.
É olhar o tempo de frente
e ver nele um espelho imóvel,
onde cada vida se repete,
cada amor apodrece,
e cada esperança volta a florescer para depois morrer de novo.
Quem suportaria o fardo de existir sem fim?
Talvez só Deus…
ou ninguém.
Será que haverá um fim, ou essa ilusão de ser imortal, será sufocada pelo tempo e pelo cansaço?