O homem ri, ignorando o próprio inferno.
A baixo da pele, sob o véu da carne
Ferve o caldo de Bactérias e culpas
O esterco de todas misérias ancestrais.
Cada célula um túmulo
Cada riso um necrotério
O sangue esse caldo rubro
transporta mais vermes do que virtudes.
Ah! Homem, esse aborto espontâneo
Esse lixo que pensa ser estrela,
Se maqueia em frente ao abismo
Sem se preocupar com o brilho mórbido da vaidade. Enquanto o câncer silenciosamente o consome.
A alma não passa de um fungo
Que se alimenta de medo e esperança
E Deus, esse médico cansado
Observa com pena a patologia da terra.
O amor?
Uma secreção nervosa de desejos.
A fé?
Um delírio químico da inconsciência.
A dor, essa é real,
O único idioma que o homem entende.
Na verdade somos todos o mesmo vômito excretado pelo universo.
Tentando entre ânsias e decomposição,
Dar sentido ao nada que nos pariu.