Na madrugada silenciosa, um gari varre o lixo que nunca foi dele.
A diarista atravessa a cidade com o olhar cansado. Na bolsa um simples pedaço de pão, enquanto limpa móveis que não lhe pertence.
O pedreiro ergue aranha-céus, com a mão rachada e a botina furada. E dorme em paredes frágeis onde o vento entra sem pedir licença.
O agricultor, terra nos pés
Planta o trigo,
O arroz
O feijão
Na mesa lhe falta o que semeou.
São invisíveis,
Sem ele nada acontece
Nada floresce
Nada respira.
Mas quem os vê?