Sebastiao
E a vida continua
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Textos
A VERDADE DO CORPO
Nos restos  úmidos da carne em putrefação,
O verme come sua própria pátria faminta,
E, em simbiose mórbida, cada célula extinta
Entrega-se à ciranda da decomposição.

A fotossíntese já não alimenta o pulmão,    o hálito fétido se ergue em brisa sucinta;
Bactérias, em silêncio, com uma precisão distinta,
destroem o cadáver,  um império em erupção.

Ó vísceras, outrora templo da esperança!
Hoje não passam de oficina de angústia e de desespero,
lama viscosa onde a vida não alcança.

E a verdade, nua, sem véu e sem esmero,
alcança no osso frio que à terra se lança:
O corpo é transitório, o pó é nosso parceiro.


Tião Neiva

Obs. Para quem gosta de Augusto dos Anjos.
Sebastião Neiva
Enviado por Sebastião Neiva em 10/09/2025
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