Nos restos úmidos da carne em putrefação,
O verme come sua própria pátria faminta,
E, em simbiose mórbida, cada célula extinta
Entrega-se à ciranda da decomposição.
A fotossíntese já não alimenta o pulmão, o hálito fétido se ergue em brisa sucinta;
Bactérias, em silêncio, com uma precisão distinta,
destroem o cadáver, um império em erupção.
Ó vísceras, outrora templo da esperança!
Hoje não passam de oficina de angústia e de desespero,
lama viscosa onde a vida não alcança.
E a verdade, nua, sem véu e sem esmero,
alcança no osso frio que à terra se lança:
O corpo é transitório, o pó é nosso parceiro.