Quantas vezes me fiz criança, para não ver a maldade no olhar das pessoas.
Quantas vezes me fiz mulher, usando da sensibilidade e da doçura para não ferir.
Quantas vezes fui homem, com olhar agressivo e voz firme, quando o mundo me cobrava força.
A vida me moldou assim: o que ela pediu, eu ofereci.
Engoli palavras para não ferir.
Fechei os ouvidos para conversas que não me interessavam.
Fiz silêncio ao lado de quem só precisava falar.
Gritei quando precisei pedir socorro.
Fui áspero diante da injustiça.
Fui feito a ferro e fogo.
E hoje, chegando à velhice, sinto a força que me fez crescer.
Apesar dos erros, valeu a pena: aprendi muito e ensinei o que pude.