Textos
MEMENTO MORTIS
Na cova úmida a célula se rompe
Expulsando o plasma em fetidez e amônia.
A fibra muscular frouxa já sem harmonia
em ácido úrico se , corrompe
O mau cheiro que do peito exala
Transmuta-se em sulfeto e gás metano
E o verme este operário soberano
No intestino do defunto se instala.
Os ossos de cálcio viram cinza fria
Nutrindo a fome da terra que devora
E a carne volta ao pó na terra mortuária.
Enquanto a carne é proteína sombria
O espírito em fuga ilumina-se, aflora
Parte para eternidade deixando a carne vazia.
Tião Neiva
Obs. Para quem gosta de Augusto dos Anjos
Sebastião Neiva
Enviado por Sebastião Neiva em 22/08/2025
Alterado em 22/08/2025
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