Procuro um canto
onde eu possa cantar meu canto
e secar meu pranto.
Um lugar onde o nascer
e o pôr do sol tragam encanto,
onde eu construa meu recanto,
e, no entardecer,
pássaros me brindem com seu canto,
enquanto a tarde cai como manto
a ninar meus sonhos em doce acalanto.
Na terra eu planto,
e, ao ar, o aroma das flores levanto.
Nas noites frias, entretanto,
não sentirei frio, eu garanto:
sobre a lareira eu implanto
um fogo suave que levanto
para aquecer nosso lugarzinho
sacrossanto.