Dizem por ai: “Se a vida lhe der um limão, faça uma limonada”. A primeira vista não passa de uma frase de autoajuda, daquelas que pregamos na geladeira ou encontramos em alguns posts otimistas no Instagram.
Mas se a gente se permitir a mergulhar um pouco mais fundo, encontraremos uma das sementes da sabedoria ancestral.
Dessas que brotam no terreno do Dharma e se efetivam sob o olhar atento do karma.
O limão pela sua acidez e azedume representa aquilo que a vida nos reserva sem aviso: perdas, dores, frustrações e desafios. É o karma batendo na porta, não como castigo, mas como consequências de escolhas dessa ou de outras vidas.
Somos camponeses de um campo invisível, colhendo frutos de ações passadas, sendo consciente ou não. E convenhamos, as vezes o pomar da vida nos dá uma safra generosa de limões.
E aqui é que entra o Dharma, o caminho justo, a escolha consciente a resposta elevada no que recebemos.
Fazer limonada é um ato de criatividade, uma decisão ética e até de cunho espiritual.
É simplesmente dizer sim: recebo esse fruto amargo, mas pretendo usá-lo para nutrir, refrescar e me transformar. Então, o Dharma é o modo como usamos o limão. A alma é que decide se a acidez do limão será remédio ou veneno.
Perto da minha casa ,quando era adolescente, morava uma senhora idosa, olhos miúdos e a mão magra de tanto costurar. Era uma vida difícil.
Ao ser perguntada: como aguentava tantas perdas. Ela respondeu com um breve sorriso: “ Uai, meu filho Deus me deu um limão, eu fiz um bolo com as raspas, suco e guardei as sementes pra fazer remédio “
Quem leu Kant e Krishna sente o perfume da sabedoria das palavras dela.
No fundo, penso que a vida é esse ciclo. Nós, de gole em gole vamos engolindo a limonada que parecia intragável!