Há ausências que pesam mais que presenças, porque não são feitas apenas de silêncio, mas de um som incompleto, como um violão que perdeu uma corda. Você ouve a música mas sente que falta algo essencial na melodia.
A verdadeira ausência não está na poltrona vazia, no quarto arrumado ou no prato que sobra. Ela se esconde em detalhes:
Na xícara que ninguém mais usa.
No cheiro das roupas que o tempo demora a apagar.
Nas palavras interrompidas esperando respostas.
A verdadeira ausência é como uma sombra num dia chuvoso, você sabe que está ali mas não consegue vê-la.
Ela está nas entrelinhas das conversas, nas músicas que nos fazem lembrar e até em fotos guardadas em uma caixa no maleiro do guarda-roupas.
A ausência quando é verdadeira não é só a falta de alguém, é a presença que se foi. É a voz que emudeceu e a saudade que toma o café da manhã com a gente, calada…
Ela parece uma linda moldura sem retrato, presente, marcante e insistente. Mas deixando esse espaço vazio que foi feito só para quem amou.
A verdadeira ausência não é medida em quilômetros ou em milhas, é medida em silêncios e saudade.
Mesmo que o tempo passe e a vida continue, há ausência que passam a fazer parte da alma. A gente aprende a conviver com ela.
É como aprender a dançar com um só pé, ou fazer dos sonhos um recanto de bênçãos e de reencontro.
Tião Neiva
( Dedico essa crônica a três mulheres que tive o prazer de conviver)
Dona Rosa
Dona Berenice
Dona Celuta
Elas são nossa VERDADEIRA AUSÊNCIA.