Não há mais espaço para mim.
O mundo fecha as portas para os que não entregam,
não performam, não lucram.
Passei com o tempo,
fiquei para trás
não por preguiça,
mas porque o compasso mudou.
Transformei-me em peso.
E peso ninguém quer.
Cada um já carrega o seu,
em silêncio ou em desespero.
Sou um caduco entre ruínas modernas,
um vestígio num mundo que grita e não ouve.
Um mundo virado do avesso,
onde a loucura é norma,
e a calma, suspeita.
As redes escancaram a insanidade,
mas todos curtem, compartilham, deslizam.
Ali se mede valor em seguidores,
em curtidas, em cliques.
Não importa o que se é,
importa o quanto se aparece.
E nesse palco virtual,
eu sou apenas um silêncio incômodo.