Voltar não é simples.
É como dobrar o tempo para trás
e confessar a falha.
É abandonar a fé,
sentar-se diante do impossível
e aceitar a derrota.
Voltar é desejar um recomeço,
crer que é possível redesenhar o passado,
fingir que o destino pode ser renegociado.
Mas eu nunca voltei.
Apenas fui.
Com os olhos fixos no horizonte
e o coração apertado.
Quantas vezes chorei no silêncio,
carregando dores como se fossem cicatrizes frescas.
Talvez tenha sido orgulho,
talvez o medo de tropeçar na mesma pedra.
E ainda assim, segui.
Mesmo quando tudo em mim pedia pausa.
Quem sabe um dia
a vida me mostre
um caminho de retorno
não para o que fui,
mas para o que ainda posso ser.
Não para voltar,
mas para começar,
com novos olhos
e alma limpa.