Ela conhece o vento
mesmo antes de nascer o céu.
Sabe a medida do esforço,
recolhe os excessos,
se lança com precisão
entre correntes invisíveis.
Como o pássaro,
tem ossos leves de eternidade,
e plumagem que muda conforme o tempo.
Encanta quando canta,
mesmo que o mundo não ouça.
Hoje, está enclausurada
numa gaiola de carne e medo,
num corpo que envelhece
e não entende o voo.
Mas sabe.
Sabe que há um dia.
Um dia em que as portas se abrirão
e ela, pássaro antigo,
se lançará pela imensidão de Deus,
sem peso,
sem dor,
sem volta.