Viajo sem sair do lugar
quando o violão repousa em minhas mãos.
As cordas, frágeis e firmes,
são como lábios de sereias
me chamando para dentro de mim.
Cada nota
abre uma porta esquecida,
trazendo o cheiro de uma tarde,
o riso de um amigo que partiu,
o silêncio de uma despedida.
Não toco apenas sons,
toco lembranças.
Toco ausências.
Toco o que nunca consegui dizer.
Ele esteve ao meu lado
quando o mundo pesava,
quando a solidão fazia morada.
Foi colo,
foi escuta,
foi presença.
Mesmo sem saber muito,
ele me entende.
Mesmo sem falar,
me traduz.
E assim seguimos,
eu e o violão,
sonhando acordados
com tudo o que já passou
e tudo o que ainda dói em silêncio.