Havia um homem que amava
com tamanha inteireza,
que pouco a pouco deixou de ser carne,
voz, medo, sombra
e se fez claridade.
Amava com tamanha força
que se desfez no limite da forma,
e virou luz.
Havia uma mulher que amava
com tamanha delicadeza,
que se abriu ao amor como um lago
quieto e profundo,
até que sua alma se fez espelho.
Refletia o que via,
multiplicava o que sentia,
e por onde passava,
espalhava faíscas do que recebeu.
Dessa dança nasceu o dia e a noite.
Ele, luz primeira.
Ela, reflexo que guia.
Do amor
brotou o sol.
Do amor
surgiu a lua.
E assim seguem,
o brilho e o reflexo,
além do tempo,
tecendo o mundo com a eternidade do sentir.