Jamais escrevi para corações analfabetos,
não de letras
mas de sentimentos.
Não escrevo para os que passam pela vida
sem tocá-la com as mãos da alma,
sem deixar que o amor os transforme,
sem conhecer o silêncio de um abraço ausente.
Não escrevo para quem nunca se perdeu em si mesmo,
para quem nunca se buscou no escuro,
para quem nunca sentiu a vertigem de se encontrar.
Escrevo para almas.
Para aquelas que viveram as curvas da estrada,
que escorregaram na descida
e souberam levantar na subida,
mesmo com os joelhos feridos.
Escrevo para quem já chorou por amor
e deixou que uma canção
se tornasse casa,
refúgio,
lembrança.
Para quem adormeceu sonhando,
e acordou com lágrimas e risos entrelaçados.
Para os que já sentiram o tempo parar
em um reencontro,
quando os olhos disseram tudo
e o coração se apressou em bater.
Escrevo para os que amam sem cessar,
mesmo depois das dores,
mesmo depois das perdas.
Escrevo para os que, como eu,
seguem eternamente apaixonados
pela vida,
pelas pessoas,
pela beleza secreta
que só os olhos da alma sabem ver.