Ontem,
um menino,
com olhos cheios de névoa,
flutuando entre o sonho e o peso das perguntas.
Hoje,
um homem,
carregando mapas rasgados,
entre os corredores da ciência e os altares da fé.
Vivo de verdades herdadas,
impostas, murmuradas,
e outras que encontrei sozinho,
no escuro, tropeçando em mim mesmo.
Desaprender dói.
Desfazer amarras invisíveis exige coragem.
Cortei galhos,
mas as raízes permanecem,
firmes, escondidas,
alimentando memórias com o que já fui.
Demorei anos para crer.
E mais ainda para deixar de crer.
É um trabalho artesanal:
quebrar certezas,
polir a alma com silêncio,
trocar dogmas por perguntas.
Cada dia nasce como um livro aberto,
mas minha alma,
ainda criança,
não sabe ler o que a vida insiste em escrever.
E sigo,
tentando entender o que não se explica,
sentindo o que não tem nome,
vivendo o que não cabe em nenhuma doutrina.