A saudade geme
ao toque de um instante esquecido.
Fragmentos de tempo
um gesto,
uma imagem,
um som que ecoa,
um cheiro antigo
ou um rosto que cruza a rua da memória.
Cada lembrança
abre sulcos no presente,
como se cavasse, em silêncio,
a trilha dos sonhos
que um dia foram alimento
e hoje dormem
na gaveta dos enganos.
A consciência gira,
esfera inquieta sobre a alma,
e projeta o passado
com a nitidez de quem ainda espera.
Mas a esperança,
exausta de tanto aguardar,
desfez-se
num sopro sem retorno.