Às vezes me perco em meu próprio olhar,
fitando pontos secretos,
invisíveis ao mundo,
mas claros em mim.
Habito lugares que não existem fora de mim,
não sei se já fui,
não sei se um dia serei.
Mas lá estou,
como quem viaja sem sair do lugar.
Fico nesse tempo suspenso,
como se o mundo cessasse seu passo
e apenas eu me movesse,
entre devaneios e formas que não se tocam.
Dizem que estou alheio.
Estão certos.
Minha presença vagueia
por territórios que só o silêncio conhece.
Criei um mundo só meu.
Lá sou rei e vagabundo,
sou poeta em busca de sentido,
sou filósofo diante do abismo,
sou professor de mim mesmo,
aluno do que ainda não compreendo.
E assim, sozinho,
me encontro e me traduzo
nesta vastidão tranquila
de quem vive no mundo da lua.